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outubro 18, 2010 / kelligomes

Óculos de Grau Interno

 

 

Desde muito cedo,  na verdade desde que comecei a me relacionar com pessoas fora do meu convívio familiar, a insegurança sempre tomava conta de mim.  Meus conflitos internos começaram quando fiz 5 anos e fui matriculada no ballet, era tímida  não falava com quase ninguém simplesmente por vergonha, aos 7 fui para a escola, lá sempre me senti o patinho burro da turma, achava sempre  que  os meus colegas eram mais esperto e mais safos do que eu e  ir para a escola sempre foi uma tortura.

Até que chegou a adolescência e não sei porque ou o que foi que me aconteceu que deixei a timidez de lado, comecei a ser a engraçada da turma, pronto, agora era aceita, podia estar em farrapos por dentro, mas o que importava para mim era que podia me relacionar com as pessoas,  ser aceita. E assim fui seguindo minha vida, entrei na faculdade não sabendo direito o que queria seguir, fui pela opinião de todos, mas ok , se estava bom para minha família, estava bom para mim. A minha sorte foi de que amei o curso, adorava estar lá e também conheci muitas pessoas especiais, alguns são amigos até hoje como a Vanessa (querida irmã) e a Glenda (amiga pra todas as horas). No trabalho é que as coisas apertavam, porque a insegurança era gritante. Não sabia como agir mas queria sempre agradar,  mesmo que no  final das contas nunca agradava o sufiente.  Era daquelas funcionárias que sempre fazia hora extra, meio atrapalhada e até desorganizada, mas fazia tudo que meus chefes queriam, sempre com o pensamento intímo de que se está bom para todo mundo, no final ficará bom para mim também. Claro que no final me sentia a vítima,  a coitada que faz tudo no trabalho mas que sempre era desvalorizada, ninguém reconhecia meu empenho. Foi assim nos estágios que fiz e depois quando me formei nos trabalhos que consegui.

Tudo era um drama em minha vida. Nunca tinha dinheiro pra nada porque se tinha uma vaga pra ganhar mais eu nunca achava que este era condizente com minha atirbuições. Costumo dizer que se tinha uma vaga na minha área e outra de auxiliar assistente de outra que não era na minha área, escolhia a segunda opção, porque pensava que só assim as pessoas poderiam me reconhecer, porque faria sempre a mais pela empresa do que os chefes imaginavam. E começava o círculo vicioso tudo de novo.  Desempenhando novamente os papéis da vítima e da injustiçada, como num cículo vicioso.  Na virada do Ano Novo de 2009 para 2010 desejei do fundo do meu coração olhar para mim,  senti naquele momento que havia chegado a hora da criança que por motivos de proteção arranjou essas artimanhas para se proteger, para  florescer de alguma maneira que não sabia como, a mulher  que existia dentro de mim. Mas para minha surpresa até a metade do ano as coisas pioraram, me sentia um zumbi, depressiva e com uma insegurança ao cubo. Era como um papel jogado ao vento,  para onde falavam para  ir lá estava eu, sem questionar nada, mesmo que fosse péssimo para mim. O sentimento era de puro desespero, para os outros continuava a fanfarrona e engraçada, por dentro uma insegura e deprimida.

Um dia desabafei com uma grande amiga minha que me disse que estava indo ao psicólogo, pedi pelo amor de Deus para me passar o telefone, consegui agendar uma consulta só um mês depois, mais precisamente em agosto. Chegar até o consultório da Fabiana Carvalhal, que é Master em Programação Neuro Linguística – PNL,  era como estar se afogando quase desmaiada até sentir uma mão me levando à tona para respirar.  E que alívio conseguir respirar, só de ter falado com ela já me fazia me sentir melhor. Mais ou menos na quarta consulta ela detectou o meu problema que foi a de compulsão afetiva. Achei muito estranho, na verdade achei que a profissional havia se confundido e estava falando de outra pessoa. O que tinha a ver compulsão afetiva com falta de foco? ou insegurança? Mas fui em frente e continuei indo às sessões.   Um dia, não me lembro mais qual foi a cena que me deu um “click”, pareceu que no meio daquela cena, a Fabiana se colocou ao meu lado, me cutucou e me deu óculos, quando os coloquei a cena havia se transformado e pude ver, com toda a nitidez, de que como era compulsiva emocionalmente. Chorei muito quando a ficha caiu, na verdade chorei tanto que parecia que parte de mim havia morrido. Chorei por dias, porque não tinha a menor noção até então de tudo isso que escrevi para vocês.

Me achava insegura porque não estudava o suficiente,  porque não tinha atenção por aquilo que estava fazendo, sempre me culpando. Achei que indo em um psicólogo ele iria me falar o que precisava fazer para me sentir mais segura,  de certa forma me dar um norte, uma direção. E aconteceu muito mais do que isso, o luto passou e escrevendo tudo isso parece que falo de outra pessoa, mas era eu.  Estou falando de mim há três meses, mas parece para mim, que foi há muito tempo e não foi, tudo ainda está se transformando. Não tiro mais meus óculos internos dentro de mim,  agora com mais lucidez posso dizer que vale a pena olhar pra sí e perceber que todos nós podemos mudar, um passo de cada vez cada um de nós podemos melhorar nossas próprias vidas, é só querer muito e de verdade!!!

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